A maldição do saber jogar futebol – parte II – A missão

Seguimos com a narrativa de Zezinho, nosso grande herói brasileiro, com a sequência imperdível de sua história. Lembrando que todos os fatos aqui descritos são verdadeiramente inventados, sendo peças de ficção, sem nenhuma relação com a vida real.

Para quem não acompanhou a primeira parte ou alguém que queira reler a aventura de Zezinho, basta clicar aqui e relembrar tudo!

Foram nove meses de muita expectativa, Zezinho e sua esposa prepararam tudo para a chegada do primeiro filho do casal. José Alberto Zidane Eto´o Júnior nasceu muito bem de saúde e a família já pôde retornar pra casa no dia seguinte.

O quarto do menino parece um cenário pós explosão de uma loja esportiva. Bolas, camisas, bandeiras, até o lençol do berço estampam a marca do Chibabambala EC, time de coração de Zezinho pai. Zezinho Júnior, ou apenas Juninho, entre choro e troca de fraldas, parece estar muito feliz nesse novo mundo que acabou de chegar.

Aos 4 anos, Juninho integra a mais nova escolinha de futsal da cidade. Desculpa, não é escolinha, é academia multifuncional especializada em desportos coletivos, como está descrito no folheto de propaganda. A academia apresenta os mais modernos métodos e equipamentos em suas aulas, e garante que, com apenas alguns anos de prática, a criança terá portas abertas em equipes de base em todo o estado, e quem sabe, no país.

Zezinho não quer esperar. Juninho frequenta a academia, mas já participa do time Sub 6 do Apiparonga, seguindo os mesmos passos do pai. Um ano depois, Juninho se destaca em todos os jogos, fazendo gols e dribles desconcertantes. E o celular de Zezinho recebe uma ligação…

“Estamos acompanhando o desenvolvimento do Juninho, mas queremos conversar com você, Zezinho. Sabemos de seu histórico como jogador, e queremos que aceite trabalhar em nosso clube, como assistente técnico, para poder passar toda essa experiência que teve na base.”

Zezinho fica muito feliz com o convite do Zakulava FC, grande rival do Apiparonga, e aceita prontamente. Claro que, pela logísitca, Juninho deixa seu clube e vai junto com o pai para o time Sub 7 do Zakulava. Zezinho fica muito feliz ao vestir a camisa de comissão técnica, e poder acompanhar os treinos do filho de dentro da quadra.

Aos 11 anos, a carreira de Juninho segue de vento em popa. Zezinho pai, após algumas desavenças com os treinadores do time, recebeu o cargo de diretor de planejamento de desenvolvimento técnico, cognitivo e administrativo e segue no clube, na prática, como um conselheiro do presidente do Zakulava. Juninho, já patrocinado por uma marca esportiva, segue quebrando recordes, sendo o principal jogador do clube, sendo no campo ou na quadra.

Zezinho está feliz porque seu filho não passará pelo que sofreu em sua infância. Juninho tem 1,74m, e com 12 anos, está bem acima da média de altura para a sua idade. Os treinos na sala de musculação, que faz desde dos 9 anos, também parecem ter surtido efeito. A grande maioria dos gols de Juninho são arrancando em velocidade e passando por cima, literalmente, dos adversários, até colocar a bola na rede. Isso fez com que o menino chegasse a participar de treinos e jogos com o time Sub 14, sempre que a escola permitia, já que os treinos da equipe mais velha são no mesmo horário das aulas. Com o pai sendo dirigente, essa liberação era facilitada já que o clube fornecia camisas e ingressos para jogos do time principal, para o diretor da escola.

No aniversário de 14 anos de Juninho, uma grande festa acontece no play do prédio, onde mora a família. O empresário do jogador, que é filho do ex-empresário de Zezinho pai, custeou tudo, inclusive levando 3 jogadores profissionais, para delírio de todos os presentes.

No dia seguinte, Juninho é chamado no clube. Já podendo assinar um contrato de formação com o Zakulava, ele escuta do clube o quão valioso ele é para a entidade, quantos títulos ele já deu ao clube, mas o plano é esperar um pouco mais para a assinatura do contrato. E a reunião é para informar que, dentro do plano de carreira, a comissão técnica quer experimentar Juninho como lateral direito.

Uma semana depois, após 29 reuniões do seu empresário com o clube, e vários posts nas redes sociais de Zezinho, dizendo que “nenhum obstáculo é intransponível!”, Juninho, ex-camisa 10, faz seu primeiro jogo na nova posição. Convencido que é uma boa, afinal “a seleção brasileira tem dificuldade para achar um, olha a brecha aí!” , o adolescente segue treinando com muito afinco.

Mas o jogo começa a ficar mais difícil para Juninho. As costumeiras arrancadas normalmente são interrompidas pelos adversários com certa facilidade, e por várias vezes, Juninho fica pra trás após dribles dos pontas que tem que marcar. As bolas paradas, que eram especialidades há 2, 3 anos atrás, não são mais de Juninho. Afinal, antigamente, a ordem era pra acertar o gol nas faltas e colocar a bola na área nos escanteios. Hoje tem que acertar o ângulo, bater no primeiro pau, e Juninho tem muita dificuldade para conseguir fazer isso.

Aos 16 anos, chega um convite para o atleta. O Chibabambala EC, time do coração de seu pai, convida Juninho para seu time Sub 17. Sem muitas chances de jogar no Apiparonga e vendo a felicidade de Zezinho, Juninho decide trocar de clube. O Chibabambala já viveu seus momentos de glória, atualmente, está na segunda divisão do estado e não joga uma competição nacional há mais de 10 anos.

Juninho é muito esforçado, mas parece que o futebol de hoje é muito difícil para ele. Quando tinha 11, 12 anos, o jogo parecia mais simples. Hoje, tem dificuldade em passar a bola, em entender os preenchimentos de espaço. Mais novo, nunca teve que se preocupar com isso. Começa a treinar como zagueiro, mas a altura vira um problema. Seus 1,74m aos 12 anos, viraram 1,78m aos 16, e o treinador o avisou que “com menos de 1,80m, não tem a menor condição de ser zagueiro…”

Aos 19 anos, Juninho conseguiu se formar no ensino médio. Depois do Chibabambala, passou por 18 clubes em 3 anos, sem conseguir se firmar em nenhum. Consegue uma vaga na faculdade de educação física, e começa o curso super animado, vislumbrando uma futura carreira dentro do futebol…

Ah, e o Zezinho?

Zezinho segue com a sua vida, a cada dia mais convencido que o mundo do futebol o boicotou mais uma vez. Mas já projeta o caminho de carreira do filho, como treinador, com a certeza que, dessa vez, o nome da família terá um espaço de destaque dentro do velho esporte bretão…

 

 

Rodrigo Nunes
Sócio Fundador do Instituto Pensando Esporte

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